Nos últimos meses, circulei entre Porto Alegre, São Paulo, o Vale do Silício e Nova York. Salas diferentes, públicos diferentes, e a mesma conclusão todas as vezes: o Brasil chegou.
Porto Alegre e São Paulo: um momento que se vê a olho nu
Passei duas semanas no Brasil, participando do South Summit, em Porto Alegre, e da Autocom, em São Paulo, e me reunindo com empresas nas duas cidades. A Autocom é um dos principais eventos de tecnologia para o varejo da América Latina, reunindo as empresas que estão moldando o futuro do comércio, dos pagamentos e das experiências digitais.
Estar lá pessoalmente deixou uma coisa muito clara. O ecossistema de tecnologia da América do Sul não está apenas crescendo. Está em plena explosão.
O que mais chamou a atenção foi a combinação de talento de alto nível, execução forte e ambição real. De fintech a tecnologia para o varejo e soluções com IA, há um nível de sofisticação e velocidade que merece atenção global. Nas duas cidades, vi empresas não apenas abraçando a transformação, mas conduzindo-a com clareza e confiança.

O crescimento segue o momento, e hoje a América do Sul está construindo um momento real e inegável.
Vale do Silício: talento brasileiro em nível global
Na volta do Brasil, fui direto para a semana do BSV (Brazil at Silicon Valley) e para o L8P Summit, no Circuit Launch, em Mountain View.
A qualidade das empresas e a profundidade técnica eram altas, mas o que se destacou foi o calibre das pessoas na sala. Fundadores e engenheiros brasileiros construindo produtos relevantes em escala global, compartilhando abertamente desafios, lições e percepções que normalmente não se ouvem em fóruns públicos. De discussões sobre IA generativa com pessoas do Google a perspectivas de liderança e uma visita à Persona, foi um dia de muito conteúdo, pouco ego e muita colaboração.
Existe algo poderoso em estar no Vale do Silício e falar português metade do tempo, trocando ideias com pessoas que têm uma trajetória parecida e atuam em nível global. Crédito para Jean Lucas Lima, Jones Madruga, Reinaldo Parreiras e Ed Giansante por reunirem essa sala.

Nova York: onde o macro encontra o micro
A Brazil Week em Nova York começou com dois eventos: o Brazilian Regional Markets, com o tema “Brazil’s Renaissance” e organizado pela Apex Partners, e o Market Insights: Navigating business opportunities in a new geopolitical landscape, organizado pela BlackRock e pela Amcham Brasil. Fundadores, investidores, executivos e líderes de tecnologia viajaram para entender para onde o capital está indo, para onde a IA caminha e o que isso significa para o Brasil na próxima década.
No evento da Apex, a ideia de um “renascimento do Brasil” não soou como marketing. Existe uma percepção real de que o Brasil está entrando em um momento importante, enquanto o mundo se reorganiza em torno de IA, infraestrutura, energia e finanças digitais.
O fireside chat com Larry Fink foi muito além dos mercados. Um ponto ficou comigo: a visão dele de que a demanda por IA já está superando a oferta mundial de capacidade computacional e de energia, e de que esse desequilíbrio pode durar mais de uma década. A IA deixa de ser apenas uma conversa sobre software e passa a ser também uma conversa sobre infraestrutura e energia.
É exatamente aí que o Brasil continua aparecendo. Capacidade energética, potencial renovável, recursos naturais, o Pix e um dos ecossistemas de pagamentos digitais mais avançados do mundo.
Também tive uma conversa paralela com Marco Stefanini, fundador e CEO do Grupo Stefanini, sobre o futuro do desenvolvimento de software na era da IA. Ouvir isso de alguém que construiu uma das maiores empresas globais de tecnologia do Brasil reforçou algo a que sempre volto: o software está evoluindo rápido, mas as empresas que se destacarem vão combinar tecnologia, adaptabilidade e uma cultura forte.

O que isso significa para empresas que constroem entre o Brasil e os EUA
Em algum momento, os negócios deixam de ser apenas operação. Os movimentos macro moldam as realidades micro muito mais rápido do que a maioria das pessoas imagina. As conversas desta semana em Nova York podem afetar diretamente investimentos, infraestrutura e oportunidades de negócio no Brasil daqui a alguns meses.
Para empresas brasileiras de olho nos EUA, e para empresas americanas de olho no Brasil, a conversa já está acontecendo nos níveis mais altos. Quem aparece, escuta, se conecta e tenta entender o futuro antes que ele chegue estará mais bem posicionado quando ele chegar.




