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IA E OPERAÇÕES · 27 OUT 2025

Navegando na era da incerteza

Dois meses com CIOs, CTOs e fundadores pela América do Norte. A IA precisa de governança para durar, sistemas legados tornam a transformação gradual, e confiança, propósito e discernimento continuam sendo os diferenciais.

Adriano Schneider
Fundador, WE Consultants
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O futuro da tecnologia é profundamente incerto, e é justamente nessa incerteza que está a maior oportunidade de crescimento.

Esse foi o tema mais constante de dois meses de conversas com líderes de tecnologia pela América do Norte: CIOs, CTOs, fundadores, investidores e operadores, em várias cidades, conferências do setor e encontros executivos. Este não é apenas um momento de mudança. É a convergência mais complexa e empolgante desde a era das ponto-com, impulsionada pela aceleração da IA e da automação e pela necessidade de manter a inovação centrada no ser humano.

Governança de IA e o papel de orquestrador

No Midsize Enterprise Summit, em San Antonio, os líderes de TI se concentraram na pressão, e na oportunidade, de integrar a IA às principais plataformas corporativas. O consenso foi claro: o impacto duradouro da IA depende de governança disciplinada, confiança e transparência. Ela não pode simplesmente ser plugada. Precisa ser gerida de forma ética e estratégica.

Isso está mudando o papel do desenvolvedor, de escrever código para orquestrar: conduzir decisões de arquitetura, garantir confiabilidade de ponta a ponta e incorporar princípios éticos ao próprio software.

Para muitas organizações, os sistemas legados continuam no centro das operações. Isso significa que a transformação digital real é gradual. Exige paciência, visão de longo prazo e planejamento cuidadoso, não um “big bang”.

A inovação está se descentralizando

O Vale do Silício ainda tem uma atração enorme, mas polos regionais de inovação estão surgindo por toda a América do Norte. A Long Beach Tech Week foi um bom exemplo: uma cidade que une academia, startups e indústria em um ecossistema aeroespacial e de tecnologia espacial, com empreendimentos em tecnologia de satélites, materiais avançados e aviação sustentável.

A Ampaire, sediada em Long Beach, está desenvolvendo aeronaves híbrido-elétricas que buscam reduzir o consumo de combustível em até 90% e o ruído em 60%. Outra startup está construindo propulsão para microssatélites que poderia reduzir os custos de lançamento em 40%. Ecossistemas locais fortes podem gerar um impacto global desproporcional, e dão aos fundadores uma comunidade para experimentar, iterar e escalar sem a pressão dos centros tradicionais.

Escalar na era da IA: o fator humano

Na San Francisco Tech Week, as conversas com fundadores, investidores e operadores giraram em torno de escalar com responsabilidade na era da IA. Vimos plataformas colocando agentes de IA para trabalhar, automatizando fluxos de trabalho, aumentando a produtividade e liberando as equipes para trabalhos de maior valor.

A lição foi consistente. A IA otimiza tarefas, mas o discernimento e a liderança humanos continuam sendo os fatores decisivos: a camada final de qualidade e de direção estratégica, mesmo com a IA transformando cada fluxo de trabalho por baixo.

Na LA Tech Week, transformamos essas ideias em uma sessão de trabalho, organizando um café da manhã para CIOs e CTOs trocarem estratégias sobre como escalar equipes, integrar a IA com responsabilidade e liderar uma inovação alinhada aos valores centrais do negócio.

“The US Expansion Blueprint” na San Francisco Tech Week: navegando no mercado americano em tempos de IA e de mudanças nas políticas.
“The US Expansion Blueprint” na San Francisco Tech Week: navegando no mercado americano em tempos de IA e de mudanças nas políticas.

Além da tecnologia está a humanidade

O Gartner IT Symposium/Xpo, em Orlando, deu uma visão panorâmica das forças que vêm pela frente: a economia da atenção, novos arquétipos de clientes, soberania em IA e plataformas de negócios autônomas. A sessão de Daryl Plummer, “Seven Disruptions You Might Not See Coming: 2025–2030”, foi uma das mais sóbrias e instigantes da temporada.

Em todas as discussões, uma mensagem ficou clara: a tecnologia sozinha não decide o sucesso ou o fracasso. A verdadeira vantagem está nos atributos humanos. Confiança, propósito, criatividade e empatia vão separar as organizações que prosperarem nas próximas décadas daquelas que apenas se adaptarem. O keynote de Justin Wren lembrou que o impacto duradouro começa pelo serviço e pela conexão humana.

Gartner IT Symposium/Xpo, em Orlando.
Gartner IT Symposium/Xpo, em Orlando.

Visão de futuro com ação

As empresas que terão sucesso serão as dispostas a combinar visão de futuro com ação, tecnologia com humanidade e velocidade com reflexão. As oportunidades são enormes, de redefinir como o software é construído na era da IA a abrir novos mercados com uma presença global de verdade. O caminho exige resiliência, criatividade e coragem.

Então, pergunto a você o mesmo que perguntei aos líderes que conheci: qual é o seu maior desafio com IA neste momento? Integrar a IA a sistemas legados, manter a governança à medida que as equipes crescem ou garantir que a supervisão humana continue efetiva?

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